
Quando a vida não faz sentido e o sentido da vida não é obrigatório podes talvez, deixar-te levar pela obsessão de não ter ninguém. Remoeres por dentro achando que ninguém ouve e ninguém vê, ninguém sente a tua música, ninguém vê o teu filme, ninguém quer o teu ser.
Por isso tu fechas-te ouvindo aquelas canções existenciais em que te imaginas no oceano rodeado de mar em todo o horizonte. Os olhos pesam então com tanto azul, mais do que podes suportar. Acordas do teu sonho vívido, ainda assim olhas em redor do teu espaço, na procura de uma feição reconhecível, um sorriso ingénuo. Um pouco de Tv não irá fazer mal, ligas assim para o teu canal favorito onde vês as actrizes, no seu papel carnal, não consegues parar de pensar que podias lá estar. Seria bom por uma vez ser adorada, e alvo da mediatização e de ter aqueles olhos vorazes prontos para devorar a alma de qualquer coisa viva. Mas logo és electrocutada com o choque da realidade.
Desligas a Tv e vais para o quarto. Lá te recolhes a olhar para o tecto sem nada para pensar, olhas para o telemóvel que nunca toca e o relógio que não anda. Horas passam, lentamente, realmente o tempo não sabe andar, nem tu sabes estar, com o tempo a matar. Depois de meses de mal-estar, enfim abaixas os braços e deixaste levar.
Mas não deixes de acreditar, há alguém que te vê e sente o teu cheiro no ar.
Vai há janela!
Estás a ver-me a acenar?
Olá eu sou o teu stalker, a tua roupa interior vou roubar, e o teu corpinho violar!
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